O que aconteceu quando as pessoas pararam a semaglutida
A extensão do estudo STEP 1, publicada por Wilding e colegas em 2022, acompanhou por mais um ano um subgrupo de 327 participantes depois que o tratamento acabou. Durante as 68 semanas de estudo, quem usou semaglutida perdeu em média 17,3% do peso, contra 2,0% no grupo placebo. Nesse momento, tanto o medicamento quanto o acompanhamento de estilo de vida foram encerrados.
Um ano depois, o grupo que havia usado semaglutida tinha recuperado em média 11,6 pontos percentuais do que perdeu, o que os autores descrevem como dois terços da perda anterior. A perda líquida desde o início caiu para 5,6%. As melhoras em medidas cardiometabólicas também voltaram em direção aos valores iniciais na maioria das variáveis. Os autores concluem que os achados confirmam o caráter crônico da obesidade e sugerem que o tratamento contínuo é necessário para manter os resultados.
O que aconteceu com a tirzepatida
O SURMOUNT-4, publicado por Aronne e colegas em 2024, foi desenhado justamente para essa pergunta. Dos 783 participantes que iniciaram a fase de tratamento com tirzepatida, 670 concluíram as 36 semanas e foram sorteados para a etapa seguinte. A perda média de 20,9% corresponde a esses 670 participantes, não ao conjunto inicial. Na etapa seguinte, metade continuou com o medicamento, metade passou a receber placebo, sem saber qual era qual, por mais 52 semanas. Os dois grupos mantiveram orientação de dieta e atividade física.
Entre a semana 36 e a semana 88, quem continuou perdeu mais 5,5% do peso, e quem passou para placebo ganhou em média 14,0%. Esses percentuais usam como referência o peso na semana 36, no início da etapa sorteada; não são percentuais do peso inicial nem da quantidade perdida. Entre os que continuaram, 89,5% mantiveram pelo menos 80% da perda inicial; entre os que pararam, 16,6%. Do começo ao fim do estudo, a redução total foi de 25,3% com tirzepatida e 9,9% com placebo. Os autores concluem que interromper a tirzepatida levou a reganho substancial, enquanto continuar manteve e ampliou a perda.
Reganho não é falha sua
Os dois estudos apontam para a mesma direção: o reganho foi a regra, não a exceção, em pessoas que estavam dentro de um estudo clínico, com acompanhamento e, no caso do SURMOUNT-4, com orientação de dieta e exercício mantida. Se aconteceu com elas, não é falta de força de vontade quando acontece com você.
Há uma explicação para isso nas fontes. O MedlinePlus descreve que a semaglutida retarda o esvaziamento do estômago e pode diminuir o apetite, e diz que ela ajuda a controlar o peso, mas não cura a condição. Quando o medicamento sai do corpo, esse efeito sai junto. Os autores do STEP 1 usam a expressão "cronicidade da obesidade" exatamente para isso.
A decisão de parar ou continuar é médica
O MedlinePlus orienta não interromper a semaglutida sem falar com o médico. Existem motivos legítimos para conversar sobre parar: custo, efeitos colaterais, planos de gravidez, outra condição de saúde, ou simplesmente a sensação de que chegou a hora. Todos eles merecem uma consulta, não uma decisão solitária.
Os números acima são médias. No STEP 1, a variação entre pessoas foi grande, e ninguém sabe de antemão em que ponto da curva você ficará. Também vale notar que, nos dois casos, a interrupção foi completa, de uma vez; os estudos não informam sobre outras formas de parar. Qualquer plano de saída é conduta médica.
O valor de manter o registro de peso e hábitos
Nos estudos, o reganho foi medido ao longo de um ano. No dia a dia, ele começa silencioso: meio quilo aqui, uma roupa mais justa ali. Quem continua registrando o peso enxerga a tendência cedo e leva um dado concreto ao médico, em vez de uma impressão.
O mesmo vale para os hábitos. Registrar refeições, treinos e sono depois de parar mostra o que mudou junto com o peso e o que se manteve. Se a conversa com o médico for sobre retomar o tratamento, esse histórico é o ponto de partida.
No Injecta
No Peso e gráfico de evolução, você continua registrando o peso mesmo depois de parar o medicamento, e o gráfico mostra a curva completa: a fase de tratamento e o que veio depois. Uma tendência de subida aparece em semanas, não em meses.
Junto com o Check-in diário, o Diário alimentar e os Treinos, o histórico fica inteiro em um lugar só. O Relatório PDF resume o período para a consulta em que você e o médico vão decidir o próximo passo.
Perguntas frequentes
Se eu parar, vou recuperar todo o peso?
Não necessariamente todo. Na extensão do STEP 1, um ano após parar a semaglutida, as pessoas haviam recuperado em média dois terços do que perderam. No SURMOUNT-4, quem passou para placebo ainda estava, em média, 9,9% abaixo do peso inicial ao fim do estudo. São médias com grande variação individual.
Isso quer dizer que preciso usar o medicamento para sempre?
Os autores do STEP 1 sugerem que o tratamento contínuo é necessário para manter os resultados, e o SURMOUNT-4 mostra que continuar manteve a perda. O que isso significa para você depende da sua saúde, dos seus objetivos e de uma conversa com o médico.
Parar aos poucos evita o reganho?
Os dois estudos avaliaram a interrupção completa (fim do tratamento ou troca por placebo) e não trazem informação sobre outras formas de parar. Qualquer mudança no esquema é decisão do médico.
O que devo registrar depois de parar?
Peso com regularidade, alimentação, treinos e como você se sente. Com isso, a consulta de retorno começa com dados, e uma tendência de reganho é vista cedo, quando ainda há mais opções.